Fui a Campus Party este ano para participar da mesa “Estimulando a participação das mulheres na tecnologia e em projetos de Software Livre”. Essa foi a minha primeira participação no evento e apesar de ter ficado apenas dois dias notei que é preciso ter muita disposição e energia para aguentar tantas atividades em paralelo. No dia 31/01 tive a sorte de conseguir acompanhar duas atividades sobre mulheres na tecnologia.

A primeira delas foi a palestra da Adriana Gascoigne a CEO do Girls in Tech, uma organização voltada para estimular o aumento de oportunidades para mulheres na tecnologia. A palestra foi bastante dinâmica, ela trouxe vídeo, dados de pesquisas e teve o foco bem definido em como fortalecer a presença das mulheres em uma área ainda predominantemente masculina. Um ponto que chamou a minha atenção foi ela ter comentado sobre anúncios de empregos, onde são mencionados como diferenciais atividades que podem ser bem mais atrativas para homens do que para mulheres, como vídeo games, jogos de mesa, etc.

Esse é um ponto interessante, pois eu ainda não havia pensado que as empresas poderiam destacar em seus anúncios itens que possam ser atrativos tanto para homens quanto para mulheres. Lembro que trabalhei em uma empresa que tinha como atrativo o tênis de mesa e nunca vi uma mulher jogando, somente os homens gostavam. Outro ponto que gostei foi ela ter mencionado que estava contente com a participação de vários homens na platéia, pois ela fez uma observação interessante, a de que eles desempenham um papel muito importante para fazer com que o ambiente de trabalho seja mais receptivo as mulheres. Ao final da palestra, sai com a sensação de que o assunto foi abordado de maneira leve e com exemplos presentes no nosso cotidiano.

Após a palestra da Adriana Gascoigne, fui ao Palco Sócrates para participar do painel “Estimulando a participação das mulheres na tecnologia e em projetos de Software Livre”. Confesso que fiquei muito feliz em ver que pelo segundo ano consecutivo esse tema foi levado pelo time da área de Software Livre. O painel teve participantes com diferentes formações acadêmicas, o que é sempre bom para diversificar os pontos de vista e enriquecer o debate. A moderadora do painel foi a Salete Farias e ao todo foram 4 debatedoras: Adriana Costa, Haydee Svab, Eliane Domingos e Claudia Archer.

A discussão começou pela apresentação individual e foi possível notar que todas participavam de algum projeto na área de Software Livre, seja com a prestação de consultoria e treinamento, na participação em comunidade e organização de eventos, grupos de estudos e na área acadêmica lecionando em disciplinas específicas de Software Livre.

Um dos pontos positivos do painel foi apresentar o leque de oportunidades que existe na área de tecnologia da informação e que especificamente em Software Livre existem grupos de usuários bem estruturados para fornecer auxílio para quem quiser ingressar nesse universo.

Além disso, foi possível perceber que para entrar na área de TI você não precisa ser necessariamente alguém que fez um curso de computação, a Claudia por exemplo, mencionou que é graduada em Letras e que depois disso começou a ter interesse por Software Livre e hoje é professora de fundamentos de Software Livre.

É claro que se você tem grande interesse pela área técnica, é necessário aprender conceitos específicos, mas nada impede a pessoa de trabalhar em uma área e, por exemplo, nas horas vagas participar de projetos de tecnologia.

No painel também foram apresentados alguns grupos voltados para o fortalecimento e aumento de mulheres na TI. Como no meu blog que busco reunir os grupos em atividade e divulgar os eventos com foco em mulheres.

Ao final do painel, fiquei com a sensação de que passou muito rápido e se tivéssemos mais 2 horas ainda faltaria tempo para discutir esse assunto tão amplo. Porém, foi muito positivo ter novamente este painel e espero que tenha mais eventos com abertura para esse tipo de debate. Quem não assistiu as palestras da Campus Party pode pesquisar no youtube ou no site da CPBR que os vídeos foram disponibilizados.


Um pouco sobre as participantes do painel:

Salete Farias Almeida: Mestra em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Bacharel em Ciência da Computação (UFMA) e com graduação em Pedagogia (UFMA). Atua principalmente nos seguintes temas: Software Livre, Recursos Educacionais Abertos, Softwares Educativos, Educação à distância, Mulheres e Software Livre, Linguagens de Programação e Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Atualmente é professora efetiva do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Maranhão – IFMA. Coordenou programas de Educação a Distância e é integrante do Grupo GarotasCPBr. Já palestrou em edições da Campus Party, participando ativamente no time responsável pela Área de Software Livre da CPBR6.

Haydee Svab: Engenheira Civil com dupla formação em Arquitetura pela USP, atualmente mestranda de Engenharia de Transportes também na Poli-USP e pós-graduanda em Democracia Participativa, Repúblicas e Movimentos Sociais na UFMG. É membro da comunidade Transparência Hacker e co-fundadora do PoliGNU – Grupo de Estudos de Software Livre da Poli-USP, bem como do PoliGen – Grupo de Estudos de Gênero da Poli. Enfim, uma militante que enfrenta o cotidiano lembrando sempre os motivos que a levaram a ser feminista, defensora dos direitos humanos (de todas gerações) e entusiasta de software, tecnologia e cultura livres: igualdade e liberdade.

Eliane Domingos: Empresária, CEO da EDX Informática, trabalha com ferramentas Open Source, presta serviços de Consultoria e Treinamento, com especialidade nas ferramentas LibreOffice e Ubuntu. Membro da TDF (The Document Foundation) mantenedora do LibreOffice, colaboradora voluntária da Comunidade LibreOffice, Comunidade SL-RJ, Blog Seja Livre, Blog da Comunidade Sempre Update, Blog iMasters, organizadora do Ciclo de Palestras Software Livre do SINDPD-RJ e fomentadora das tecnologias livres, editora da revista LibreOffice Magazine.

Adriana Cássia da Costa: Graduada em Publicidade e Propaganda (UFMT) e Desenvolvimento de Sistemas para Internet (IFMT), Mestre em Ciência da Computação (PUCRS). Atualmente atuo como Analista de Sistemas, sou membro da comunidade Curitiba Livre e colaboro com o Software Livre auxiliando na organização de eventos da área. Administradora do blog Mulheres, Tecnologia e Oportunidades (www.softwarelivre.org/mulheres).

Claudia Maria da Costa Archer: Militante do Movimento de Software Livre, Fundadora da Assossiação do Software Livre do Maranhão – ASL-MA, Professora da Disciplina Fundamentos de Software Livre na Universidade Ceumna, Mestre em Politicas Públicas, com a Dissertação “A Burocracia e as TIC’s no Brasil: a experiência do Software Livre”, a partir de 2003, Orientação de r Flavio Farias e Co-orientação de Sérgio Amadeu. Atualmente é Doutoranda do Programa de Políticas Públicas com tese sobre a política da internet do Brasil.

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