Olá!

Quem acompanha o blog sabe que pesquiso os grupos que incentivam a participação das mulheres na tecnologia e disponibilizo um resumo deles e contatos.

Cheguei a conclusão que além disso é importante que esse grupos possam passar mais informações, e por isso resolvi entrevistá-los.

Para dar o pontapé inicial na tag “Conheça mais”, entrevistei o grupo PyLadies. Esse grupo é de Natal – RN e começaram as atividades este ano (2014). Quem respondeu as perguntas foram: Gabriela, Clara e Katyanna.

A entrevista está bem legal e tem dicas para você que deseja aprender Python. Vamos conferir?

Blog: Qual a profissão/formação acadêmica de vocês?

Gabriela: Eu sou técnica em informática pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte, e curso o Bacharelado em Tecnologia da Informação na Universidade Federal daqui (RN). No momento, participo como pesquisadora de um projeto de Iniciação Científica da Universidade em que estudo.

Clara: Eu faço o Bacharelado em Ciência da Computação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e trabalho na área de redes e servidores linux em uma empresa chamada Veezor Network Intelligence com o foco em computação em nuvem.

Katyanna Moura: Estudei Operações Comerciais no IFRN e hoje curso Bacharelado em Tecnologia da Informação na UFRN.

Blog: O que levou a criação desse grupo, podem contar um pouco da história e objetivo?

Gabriela: Algo que sempre falamos é que um motivador foi o porquê de termos tão poucas meninas na área tecnológica. Acho que foi o principal motivo. Participar de eventos que iam 50 homens e só nos de mulheres, nos fez sair do canto e pensar em mudar. Essa realidade é meio estranha, na história tecnológica fomos marcantes. A Ada Augusta Byron, Grace Murray Hoper, Radia Joy Perlma, entre outras nos mostraram que a linha do tempo da história da computação foi extremamente marcada por mulheres. Então podemos dizer que o PyLadies existe para motivar, para ser uma ponte que leva as garotas ao mundo da programação. O propósito não é criar ilhas, isolando as meninas enquanto gritamos palavras de ordem sexistas (longe disso). Nós queremos mostras que mulheres podem sim mudar o mundo mesmo sem ter seu “código fonte”, basta criarmos um novo. Seu sexo não define sua escolha profissional, ou sua carreira acadêmica, ou sua capacidade intelectual.

Clara: Faço das palavras da Gabriela as minhas, o nosso objetivo em geral é esse. Entretanto o que mais me identifiquei com a ideologia do PyLadies foi a atuação da mulher entrelaçada com o desenvolvimento na linguagem Python, especialmente por ser uma entusiasta do mundo open source e isso fez com que eu visualizasse o crescimento do uso da linguagem em nosso país, em especial em nossa cidade (Natal).

Blog: Atualmente o grupo tem quantos integrantes? Homens podem participar?

Como co-fundadoras, somos nós 3. Na organização são cerca de 10 pessoas. Ativas e participantes da comunidade, mais de 50 meninas (e meninos). Os rapazes podem participar, mas como regra, tem que ser uma menina na liderança. E sempre tentamos incentivar garotas e participarem dos encontros em posições que antes só os rapazes ocupavam (colocamos elas para palestrarem, serem monitoras, etc).

Blog: Vocês organizam algum evento específico ou ações direcionadas como oficinas?

Nosso primeiro encontro na verdade foi um evento, tivemos cerca de 100 pessoas (um pouco mais que isso). Nós fizemos nesse formato mais para divulgação, como era o início da comunidade, tentamos alcançar o máximo possível, para depois trabalharmos de forma mais específica. Agora, nós estamos realizando mini-cursos e dojos, com um número menor de meninas e maior frequência.

Vejas as fotos no final 🙂

Blog: Como faço para participar do PyLadies?

Tem muitas formas. Caso não haja um grupo do PyLadies na sua região, pode entrar em contato conosco para começarmos um ai onde você mora. “Mas eu não sei programar”, não há problemas, nós te ensinamos. Podemos fazer hangouts, chamadas do skype, ou algo do tipo (dependendo, se for pertinho, podemos até te fazer uma visita), e treinamos você para que possar montar um grupo ai e ensinar as meninas. Caso já haja meninas do Pyladies na sua região, é só frequentar as reuniões, aparecer e participar. Nós não colocamos restrições, não proibimos meninas que não sabem programar, pelo contrário, quanto menos você souber, mais vai poder aprender.

Blog: Como posso contribuir com o grupo?

Também tem muitas formas de fazer isso. Tem o caso de não ter um grupo ai próximo de onde você mora, então sua contribuição pode ser montando ele por ai. Mas caso já tenha, compartilha material com as meninas, estuda um assunto e se oferece para palestrar ou falar em um mini-curso, organiza eventos ou campeonatos de programação… Aqui, nós somos muito abertas a isso, se há uma meninas interessada, ajudamos a ela a ter prática no assunto, e já a colocamos para ensinar outras meninas. O importante é gerar frutos que gerem outros frutos.

Então sempre falamos para as meninas que se encontrarem uma fonte de estudo interessante, coloca no grupo para as outras também consultarem, se tem dúvida, compartilha, se descobriu algo, também divulga, se tá vendo que em um assunto tá conseguindo ter uma boa evolução, nos manda um email, mensagem, inbox, nuvem de fumaça, qualquer coisa, dizendo que tem um tópico que você tá disposta a ajudar ou ensinar outras garotas. Um exemplo disso foi o evento que organizamos no início do ano, uma das palestrantes foi uma monitora que treinamos.

Blog: Quais sites e livros que vcs indicam para quem quer aprender Python?

Tem muita fonte boa de estudo sobre python, vamos começar pelos livros. Nós temos o ‘Use a Cabeça: Python’, ‘Programação Em Python 3 – Uma Introdução Completa à Linguagem Python’ (da Alta Books), ‘Introdução à Programação Com Python – Algoritmos e Lógica de Programação Para Iniciantes’ (da Novatec), ‘Aprendendo Python’ (Bookman), e ‘Python – Guia de bolso’ (também da Alta Books). Devem ter vários outros livros ótimos, mas esses são os que lembramos.

Confira a lista de alguns sites para quem quer aprender python (algumas fontes são em inglês).

  1. Learn Python The Hard Way, 2nd Edition (Zed Shaw)
  2. Dive Into Python (Mark Pilgrim)
  3. Dive Into Python 3 (Mark Pilgrim)
  4. Google Python Class
  5. Documentação Oficial
  6. Cook Book
  7. Python na Prática
  8. Aprenda a programar Python
  9. Manual de Referência Python
  10. WikiBooks

Cursos online:

  1. https://www.codeschool.com/
  2. https://www.coursera.org/
  3. http://www.codecademy.com/tracks/python

Blog: Qual a dica que vcs podem dar para quem quer aprender Python?

Queiram aprender. É complicado começarmos algo sem realmente querermos aquilo. Não desista. Acredito que todos somos capazes de aprender qualquer coisa (QUALQUER COISA), alguns conseguem entender mais rápido que outros, mas se forem insistentes irão aprender. Então não pare de programar por que seu código ”bugou”, ou por que não entendeu algo que todos dizem ser simples.

Compartilhe suas dúvidas, sem medo. Entre em comunidades, grupos sobre o assunto, fóruns de discussão, mande email para quem você sabe que sabe mais que você, ou até para que não sabe mais, talvez ele te ajude (se quiser, manda pra gente). E é muito importante que você coloque em prática o que está aprendendo. Ensine outras pessoas, escreva material, faça tutorial do que conseguiu e compartilha, comece projetos open source… tem muita coisa que você pode fazer.

Para quem quiser entrar em contato com o Pyladies pode enviar mensagens para:

Site: pyladiesnatal.potilivre.org
email nacional: brazil@pyladies.com
email regional: natalrn@pyladies.com
Redes Sociais: https://www.facebook.com/PyLadiesBrazil
Twitter: @PyLadiesBrazil

Compartilhe

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Comment *