Sabe quando alguém conta uma ideia e você pensa: “Que ideia boa! como que ninguém pensou nisso antes?”

Pois é, foi assim que me senti quando conheci o projeto Minha Voz e é sobre ele que vamos conhecer melhor! Conversei esse ano com a Salete Farias que é uma das idealizadoras dessa iniciativa e aprendi bastante sobre violência contra a mulher. Gostei muito do projeto e achei uma boa ideia compartilhar com mais gente, porque certamente poderá ajudar muitas mulheres!

Blog: Pode nos contar como foi participar do Hackathon de Gênero e Cidadania?

Foi uma experiência sem precedentes, o formato do evento foi diferente de tudo que eu já conhecia, não foi apenas uma Maratona de Programação, mas uma Maratona de Programação Hacker, onde a colaboração e o compartilhamento de informações tinham um papel super importante, o que ia além do simples fato de programar. A temática de Gênero e Cidadania também deu um sentido maior ao Hackathon, estaríamos produzindo ali, algo de grande de alcance social e que permitiria ajudar milhares de mulheres a ter vez e voz tanto no cenário social quanto no cenário político.

Blog: como os integrantes do projeto se conheceram? qual foi a motivação de vocês para participar do hackathon?

Nós nos conhecemos através de uma Lista de Discussões (relacionados ao Hackathon) , eu já participava de Coletivos feministas desde 2010, o que me levou a ter um bom network com outras pessoas que trabalham questões de gênero e fui incluída nesta lista. Ao saber do Hackathon de Gênero já desejei participar, só faltava a equipe, faltando poucos dias para o deadline das inscrições conheci a Daniela Rozados e o Rafael Reis que também estavam querendo formar uma equipe.

O projeto inicialmente pensado pela Daniela, de criar uma ferramenta para ajudar mulheres contra a Violência de Gênero combinava com o que eu queria fazer também, e pro Rafael não foi diferente. Nós criamos a equipe e demos início à uma escrita colaborativa do projeto usando as redes sociais e outras ferramentas, visto que eu moro em São Luís – MA e a Daniela e o Rafael moram em São Paulo, e até mesmo eles apesar de morarem na mesma cidade ainda não se conheciam. A motivação de todos em participar era ajudar de alguma forma as mulheres, empoderá­las, dar voz a elas.

Blog: Como surgiu a ideia do projeto Minha Voz?

A Daniela é psicóloga e filósofa e já tinha uma ideia de trabalhar uma ferramenta que usasse acessibilidade psicológica pra ajudar as mulheres vítimas de violência (das mais diversas), e esse foi o ponto de partida, começamos então a pensar em como proporcionar isso e também outras funcionalidades para o projeto. Eu tenho formação em Ciência da Computação e o Rafael Reis, hoje estudante de Engenharia Elétrica, também é técnico em Informática com formação em programação. Juntamos nossos conhecimentos e habilidades pra dar forma ao projeto e inserir outras características.

O Minha Voz é um canal onde as mulheres podem denunciar todo tipo de violência a que estão sujeitas. A ideia é que a mulher descreva o tipo de violência que sofreu para que possamos ajudá­la. Tem como principal diferencial a acessibilidade psicológica para orientação. Fazemos uma série de perguntas e, baseada nas respostas dessas mulheres, indicamos se ela sofreu ou não algum tipo de violência e indicamos a partir disso o que as mesmas podem fazer e qual rede de atendimento é a mais adequada. Além disso o site mapeia os serviços públicos disponíveis para essas mulheres, vítimas de violência e conta ainda com áreas para depoimentos e desabafos.

Criamos esse espaço para que as mulheres se sintam à vontade para contar e compartilhar com outras mulheres as experiências de violência que sofrem. Somos um espaço virtual para que ela entenda melhor o que aconteceu, possa desabafar, saber seus direitos e possibilidades, busque informações, compartilhe experiências com outras mulheres que sofreram coisas parecidas, leia depoimentos de outras mulheres. Acreditamos que qualquer ação que desrespeite o bem estar moral, psicológico e físico da mulher pode ser considerado uma forma de violência. Para o Minha Voz, o que interessa é o ponto de vista da mulher que sofreu a violência.

A violência contra a mulher é um problema no mundo todo. Se considerarmos todas as formas de violência, desde as que nos fazem ficar mal emocionalmente, até as que nos machucam fisicamente, todas as mulheres já sofreram ou correm o risco de sofrer algum tipo de violência. Colaborar para o fim da violência é uma tarefa de todas nós. No MinhaVoz, a identidade e os dados das mulheres são sigilosos, não iremos entrar em contato sem consentimento sob nenhuma hipotese, desse modo, os dados serão usados de maneira geral para fortalecer políticas publicas de combate e enfrentamento à violencia de gênero, sem identificar as pessoas envolvidas.

Blog: Sabemos que o projeto Minha Voz foi desenvolvido durante o hackathon do ano passado, de lá pra cá o que surgiu de novidade no projeto?

Entre o Hackathon e o momento atual, já recebemos alguns depoimentos e desabafos, o que nos deixou muito felizes e nos fez ver que o Minha Voz ajudou de alguma forma uma mulhe em situação psicológica vulnerável. Estamos estudando uma mudança de layout, o que já está na fase final e vamos tornar o site mais funcional. Decidimos deixar ainda a versão beta no ar, enquanto paralelamente implementamos as melhorias. Estamos em busca de financiamentos para ajudar nesta segunda fase do projeto e tentando montar uma equipe ainda mais interdisciplinar.

Blog: Qual o retorno que vocês tiveram das pessoas que conheceram o projeto?

Todos foram muito receptivos e viram um grande potencial no projeto, o feedback que obtivemos desde o processo de avaliação dos projetos na Câmara dos Deputados para decidir pelo vencedor, já deram sinais disso. O próprio Banco Mundial que entre as salvaguardas dos seus projetos, sempre colocam questão da Mulher e a luta contra a Violência, referenciaram o projeto como importante ferramenta no combate à violência de gênero. O laboratório Hacker da Câmara dos Deputados também viu um grande diferencial no nosso projeto. Com a visibilidade após o Hackathon,

recebemos muitos convites para falar do Minha Voz e isso ajuda com que mais pessoas conheçam e usem a nossa plataforma.

Blog: A premiação do hackathon foi uma viagem para o encontro sobre projetos de e­cidadania na sede do Banco Mundial, em Washington (EUA) o EUA, pode nos contar como foi essa experiência?

O Banco Mundial promoveu um seminário exclusivamente para os vencedores do Hackathon, além do projeto Minha Voz, também foram a Washington os idealizadores do Projeto Dona Maria, vencedor na categoria Participação Política. A ideia era conhecermos o que é o Banco Mundial, qual a sua função e o que eles estão fazendo em relação ao tema ‘gênero’ e outras áreas. Esse prêmio é um reconhecimento de um trabalho em prol das minorias. O Enconto contou com reuniões com a assessoria de comunicação do Banco Mundial e a gerência de conhecimento sênior do banco, além de palestras sobre mídias sociais, gênero, desenvolvimento social, ciências da informação, economia e governança.

Todos nós tivemos a noção de como o Banco Mundial financia diversos projetos através dos governos de cada país. Foi a descoberta de um mundo extenso de muitas pesquisas que resultam em grandes projetos para a melhoria das pessoas dentro de suas realidades locais. Percebi com esta premiação que estou no caminho certo, e agora me sinto mais motivada para dar continuidade tanto ao projeto ‘Minha Voz’ quanto a outros projetos que englobam políticas públicas e tecnologias para ajudar as pessoas, principalmente as mulheres.

Blog: Quais são os planos para o futuro do projeto?

Nosso objetivo daqui pra frente é ir além das denúncias e do registro dos desabafos. No futuro, queremos ampliar o projeto para uma rede de ajuda pós processo de notificação. Afinal, como ajudar essas mulheres depois do desabafo? E depois da notificação? Nossa ideia é que o processo de acolhimento continue após essa etapa.

Confira mais informações em:

Site: http://www.minhavoz.com/

Facebook: https://www.facebook.com/minhavozeminhaforca

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