Hoje vamos conhecer um pouco sobre a trajetória da Vanessa Tonini, ela é natural de Bagé (RS) e hoje mora em São Paulo onde atua como Agile Coach na empresa Lambda3. Confira a entrevista completa com dicas ótimas!

Blog: Conte um pouco sobre a sua história na área, o que levou a escolher a TI, se passou por alguma dificuldade na área e quando começou a trabalhar na área.

Desde muito cedo fui interessada por computadores e informática. Fiz meu primeiro curso de computador com 8 anos de idade, e durante primário eu amava as ocasionais aulas de informática. Em meados dos anos 2000, com meus 10 anos, meus pais compraram o primeiro computador de casa. E não excluindo o fato de que eu passava horas jogando, quando colocamos Internet em casa logo descobri como criar e publicar sites na Web, eu via isto como uma outra maneira de se divertir além dos games. Então eu e a minha prima mantínhamos um site sobre anime e cuidamos dele por alguns anos.

Mais tarde, aos 16 anos resolvi profissionalizar meu conhecimento sobre criação de websites. Até porque eu queria começar a ganhar dinheiro com isto, foi aí fiz um curso de Web Designer no SENAC e onde começou minha trajetória como web designer. Durante o ano de 2006 até o fim de 2007 vendi muitos sites para comerciantes e profissionais da cidade na qual eu morava, Bagé.

Em 2007 quando terminei o ensino médio, chegou aquela grande decisão: o que fazer de faculdade? Neste momento eu estava com uma ideia fixa sobre aprender PHP, e que com isto eu seria uma web designer melhor. Eu não tinha muita instrução sobre esta área, meus pais não sabiam me orientar direito, e o pouco contato com alguns profissionais que tive foi que me ajudaram. Naquela época eu não via o curso de Ciência da Computação como opção pois eu não entendia o que era isso exatamente (só sabia que não se estudava sobre web sites), porém sabia que queria estudar sobre redes e Internet, como a Web funcionava, algoritmos e programação.

vanessaNo início de 2008 consegui um estágio em SC (meu irmão estava morando lá), e então eu me mudei para SC. Neste estágio um colega me perguntou o que eu queria fazer de faculdade, e eu disse que estava indecisa entre Ciência da Computação ou Design Gráfico (os 2 não me agradavam), e então ele comentou comigo sobre o curso de Sistemas para Internet (UNIVALI). Quando verifiquei a grade do curso – e que haviam dois semestres de programação com PHP – fiquei super feliz que a graduação com que eu sonhava existia!

O curso todo foi brilhante, aprendi muito, e durante o período da faculdade trabalhei em diversas empresas onde também tive uma boa experiência como desenvolvedora frontend. Após um tempo descobri que frontend era a profissão que eu queria ser, porém antigamente este termo não existia, você era web designer ou programadora, o problema que o termo web designer dava a entender que você tinha que fazer o layout no Photoshop também, e esta parte me entediava bastante, eu queria só escrever código! Quando finalmente o termo frontend surgiu, em meados dos anos 2010, eu me senti realizada novamente!

Após a graduação, concluí dois cursos de pós-graduação, um na UTFPR em Londrina que foi uma Especialização em Desenvolvimento Web, e depois em São Paulo um MBA em Engenharia de Software Orientada a SOA, na FIAP. No desenrolar de tudo que passou até hoje tenho muitas outras histórias para contar, porém fica como um resumo da minha formação atual.

Hoje explorando mais a área de desenvolvimento de software descobri outra disciplina que me deixa feliz, que é a área de métodos ágeis de desenvolvimento de software e de coaching, justamente porque esta área de organização e comunicação sempre foi algo que eu tinha expectativas dentro das empresas que eu trabalhei e nem sempre isto era uma realidade, o que me fez estudar muito sobre o assunto e logo querer trabalhar com isto.

O ano de 2015 foi um ano muito difícil e importante para mim e minha carreira. Além de começar trabalhar duro em uma comunidade chamada Marialab, que tem o objetivo de engajar mais mulheres na área de TI, também me vi infeliz como desenvolvedora frontend, porque nas empresas em que trabalhei não havia interesse em progresso e melhoria profissional, eles só queriam que o trabalho fosse entregue o mais rápido possível e de qualquer jeito, o que confrontava com meus valores pessoais. Logo, descobrindo a profissão de Agile Coach, vi nisso uma forma de eu continuar trabalhando com desenvolvimento de software, e se aproximar mais de meus propósitos pessoais e profissionais.

Blog: Há quanto tempo trabalha na área de TI?
Profissionalmente, desde 2008 que foi quando comecei a fazer faculdade, e trabalhar para uma empresa com carteira assinada. Antes eu era ~sobrinha web designer~ e fazia aquelas atrocidades para a web – e que faz parte do aprendizado – e este período de “sobrinhagem” começou em meados dos anos 2000.

Blog: Conte um pouco sobre a sua área de atuação.
Desde 2008 até novembro de 2015 trabalhei como desenvolvedora frontend, e também como frontend focada na plataforma de ecommerce Magento.
Hoje estou trabalhando como Agile Coach e Scrum Master focando em práticas ágeis durante o desenvolvimento de software.

Blog: Existe alguma mulher na área da TI que serve ou serviu de inspiração para você?
Todas minhas professoras: Bruna Gomes, Elisangela Miranda, Julia Marques, Renata Raabe, Leda Spelta, Tânia Maurente. Também mulheres influentes da área como Martha Gabriel, Nathalie Trutmann, Camila Aschutti e amigas ou colegas de trabalho como Talita Pagani, Fernanda Weiden, Nessa Guedes,  Fernanda Monteiro, Camilla Gomes, Nathalia Paiva, Nathalia Sautchuk.
O complicado de citar nomes é que vou esquecer de alguma, mas todas as mulheres que conheci ao longo da minha trajetória serviram e ainda servem de inspiração.

Blog: Qual é a indicação de um livro para iniciantes em TI?
Difícil indicar um livro para iniciantes em “TI” porque TI é uma área gigantesca. Dentro da área que trabalhei muito tempo (frontend), indico os livros do Maujor, especialmente o livro Fundamentos de HTML5 e CSS que serve de base para iniciantes.
Dentro da área de Agile indico os livros: Métodos Ágeis para Desenvolvimento de Software,  eXtreming Programming e FunRetrospectives.

Blog: Qual a sua indicação de site?
Como sempre trabalhei com Web, os sites que vou indicar são a maioria com conteúdo para desenvolvimento Web.
http://mulheresnacomputacao.com/
http://blog.popupdesign.com.br/
http://imasters.com.br/
http://tableless.com.br/
http://tutsmais.com.br/blog/

Blog: Qual evento você indica na área de TI?
Vou indicar eventos que são dentro da minha disciplina de atuação:
FISL, Latinoware, Cryptorave, Web.br, BrazilJS, Encontro Nacional de Mulheres na Tecnologia, Agile Brazil  etc

Blog:  Na sua percepção, o número de mulheres na TI aumentou nos últimos anos ou diminuiu?
Na minha percepção aumentou, até porque nos últimos anos ando muito envolvida com a causa de mulheres na TI e exatas, então acabei conhecendo mais mulheres e também meninas que estão começando na área. Porém a cada empresa que visito/conheço e/ou trabalho, vejo que ainda somos muito minoria, sendo únicas dentro de um time de desenvolvedores por exemplo.

Blog: Você pode contar um pouco como é o seu trabalho no MariaLab e como as pessoas podem participar?
Na Marialab não temos cargos específicos, quando as demandas surgem e nos candidatamos para os trabalhos de forma voluntária e horizontal. O que já fiz até agora foi: organizar pequenos eventos de nossa autoria sobre assuntos de tecnologia, organizar participação da Marialab dentro de eventos terceiros, produção de material promocional (adesivos, banners, camisetas etc), responder perguntas de mulheres que entram em contato com dúvidas sobre a área e o mercado de trabalho, cuido de algumas das redes sociais e do email de contato,  também responder a imprensa e pesquisadoras universitárias do tema.

E por aí vai, sempre tem o que fazer, sempre tem coisa nova, gosto muito de ajudar que mais mulheres e minorias como pessoas trans, a terem um espaço seguro para aprender e trocar conhecimento.

Blog: Qual a sua mensagem para as mulheres que trabalham na TI?
Temos que buscar por aquilo que nos realiza. Se as pessoas ao seu redor tentam te desestimular por estar trabalhando em algo que tipicamente é realizado por homens, não dê ouvidos, siga aquilo que seu coração acredita e tenha coragem.

Procurar participar de comunidades é uma solução motivadora que eu encontrei para mim mesma, onde eu posso levar meu conhecimento para as que querem aprender, aprender com outras mulheres mais experientes da área e claro ter inspiração diária com cada mulher que conheço, recomendo muito isto! 🙂

Blog: Quais os contatos para quem quiser falar com você.
Meu Github, twitter, linkedin, gmail: vanessametonini

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